
Monjuá Arquitetura
Como trazer a regionalidade para um projeto arquitetônico de lazer e turismo?
Em projetos de lazer e turismo, essa relação com o território ganha ainda mais importância.
No Fervedouro Bela Vista, arquitetura contemporânea e identidade regional se encontram em um projeto que valoriza materiais, técnicas e referências do próprio território.
Como incorporar a identidade de uma região a um projeto arquitetônico de lazer e turismo sem abrir mão de uma linguagem contemporânea? Para a Monjuá Arquitetura, a resposta pode estar no próprio lugar.

O projeto da área de bar e recepção do Fervedouro Bela Vista nasceu justamente desse olhar atento para o entorno. O pedido dos proprietários era criar um espaço com uma leitura mais atual, mas que preservasse a identidade e a essência do destino.
O desafio estava em encontrar o equilíbrio entre o novo e aquilo que já fazia parte da história daquele lugar. E foi durante as visitas técnicas que a arquiteta Rosângela Benvindo identificou uma possibilidade que mudaria os rumos do projeto: uma antiga edificação em adobe, localizada nas proximidades, seria demolida.
Em vez de deixar que aquele material se perdesse, a proposta foi incorporá-lo à nova arquitetura. Todos os tijolos de adobe foram aproveitados para a construção das paredes da nova edificação, preservando não apenas um material tradicional, mas também parte da memória e da identidade construtiva da região.
A escolha dos demais elementos seguiu a mesma lógica. A estrutura e a pérgola foram projetadas em madeira roliça de eucalipto tratado, enquanto os beirais em palha reforçam a conexão com a paisagem e o clima do lugar. Para o fechamento, a trama de bambu acrescenta textura, leveza e um caráter artesanal ao conjunto.
Mais do que simplesmente utilizar materiais regionais, o projeto demonstra como a arquitetura pode reinterpretar elementos locais a partir de uma linguagem atual. O adobe, a madeira, a palha e o bambu deixam de ser apenas referências estéticas e passam a fazer parte da própria experiência do espaço.
Em projetos de lazer e turismo, essa relação com o território ganha ainda mais importância. O visitante não busca apenas uma estrutura bonita ou funcional, mas uma experiência que dialogue com o destino. Quando a arquitetura reconhece e valoriza as características do lugar, ela se torna parte dessa experiência.
No Fervedouro Bela Vista, o regional não foi acrescentado ao projeto como um detalhe. Ele já estava ali. Foi preciso apenas um olhar atento para perceber seu potencial e transformá-lo em arquitetura.
Na Monjuá Arquitetura, acreditamos que projetar também é saber olhar para o lugar, compreender sua história e encontrar novas formas de valorizá-la.